Localizada em Oeiras, a Casa CM surge como resposta arquitetónica à morfologia irregular do lote onde se insere.
O projeto consiste em desenvolver uma arquitetura mais consentânea com as caraterísticas do lugar, onde uma ‘casa-térrea’ tira partido da topografia e conserva as espécies arbóreas existentes, resultando numa ‘solução edificada enterrada’ articulada com os pinheiros centenários do local. A pendente existente a poente, desfavorável ao aproveitamento da luz natural, é o mote para o desenvolvimento da forma volumétrica em forma de ‘U’ que contrarie este imperativo original. A implantação deste volume com apenas um piso térreo tem uma relação direta com o declive onde se consegue garantir interiormente um pé direito desafogado e uma melhor exposição solar em qualquer hora do dia, bem como espaços exteriores que garantem a privacidade que se pretende.
Uma superfície de água espelha e amplia o cenário envolvente, compensando a iluminação e a condição enterrada de um pátio que regula e distribui o programa. Obtém-se assim uma coerência espacial, estrutural e material da ‘casa-pátio’. O vazio central é acomodado por três lados com espaços fluidos destinados a usos sociais e individuais. À simplicidade geométrica justapõe-se a complexidade material. O betão e a madeira são os elementos construtivos predominantes, definindo as partes superior e inferior do volume. Na parte superior optou-se por uma matéria fria – o betão – que foi também a solução tectónica do projeto. A componente estética deste material resolveu a componente estrutural ao permitir criar uma viga alta, no coroamento, que suporta a estrutura dispensando os pilares, tendo um vão amplo que abre a sala na sua totalidade e dilui o interior com o exterior numa grande permeabilidade visual.
Na parte inferior e habitável, preferiu-se uma matéria quente, adotando uma componente mais humana e íntima – a madeira – que é também um prolongamento do envolvente natural no âmago da casa. A materialidade transparente de um continuo envidraçado acentua este diálogo dentro-fora. Divergindo de uma arquitetura mais contemporânea que estranha o ornamento, o interior foi desenhado ao pormenor, prestando grande atenção à expressão ergonómica, como os puxadores, onde se encontram apontamentos alusivos aos anos 40 e 50 (século XX) e aos arquitetos Frank Lloyd Wright ou Walter Gropius.
A horizontalidade estática do corte transversal ou longitudinal anima-se com movimentos ritmados e insinuados na topografia, numa espacialidade quase musical, criando uma dialética de espaços e percursos verticais e circundantes, que tanto introduzem o pátio e interior da casa como encaminham à cobertura inclinada acessível que acrescenta dimensões e novos usos, prolongando a narrativa poética do habitar. ‘Uma casa que só podia ser aqui’.
“É um exercício profundo sobre a escala humana, muito interessante e importante para nós.”
Julião Pinto Leite, Sócio do OODA
Projeto
Casa CM
Localização
Oeiras, Portugal
Arquitetura
OODA Architecture
Especialidades
TEKK Engenheiros Consultores, A3R Engenharia Lda
Paisagismo
P4 Artes e Técnicas da Paisagem
Visualizações
Fusão
Tipo
Adjudicação
Fase
Início de Construção
Área
350 m2
Data
2018