Este foi um projecto colaborativo desenvolvido no modelo design-build, demonstrando como a interacção contínua entre a equipa de projeto, o cliente e o empreiteiro pode e deve influenciar ativamente as decisões de projecto.
O espaço da obra, previamente utilizado como restaurante, era incompatível com o novo programa e bastante descaracterizado. Contudo, após a demolição de divisórias leves e dos tetos falsos existentes, verificou-se o potencial latente do espaço enquanto open space, optando-se por revelar o pé-direito generoso e outros elementos pré-existentes, determinantes para a solução arquitectónica e convenientemente integrados no desenho de solução, tais como ; lajes em betão , alvenaria de tijolo aparente, destacando elementos estruturais como pilares e vigas em betão à vista e redes técnicas.
Neste sentido, podemos dizer que a abordagem design–build permitiu que as opções de projeto fossem avaliadas e ajustadas em tempo real, assegurando o alinhamento entre a intenção arquitetónica, a viabilidade técnica, os requisitos funcionais e as restrições orçamentais. Das diversas iterações com o cliente, num processo de ação–resposta , chegou-se a uma solução espacial flexível, suficientemente adaptável ao fluxo de trabalho da empresa e necessidade das equipas de desenvolvimento. As áreas de trabalho em open space constituem o núcleo da organização espacial, complementadas por salas de reunião fechadas, zonas informais de colaboração e outros espaços de apoio, utilizando a circulação como elemento organizador central, incentivando a interação e estruturando o programa global.
Elementos acústicos suspensos e soluções de iluminação foram estrategicamente dispostos e combinados para definir diferentes zonas de trabalho sem comprometer a continuidade espacial. Variações de escala, densidade e alinhamento ajudam a articular o espaço, melhorar o conforto acústico e criar uma paisagem de teto mais rica e estratificada. Ao nível dos materiais, optámos conscientemente por superfícies neutras, enquanto elementos em madeira de pinho — como revestimentos, caixilharias e portas — introduzem um elemento de calor no conjunto. Os tons preto e amarelo, retirados da identidade corporativa do cliente, são utilizados de forma seletiva para diferenciar funções, reforçando a continuidade visual em todo o espaço de trabalho.
O resultado final reforça a nossa convicção de que a prática arquitetónica, através de um processo colaborativo de projeto, é plenamente capaz de produzir uma estrutura espacial robusta e flexível, preparada para futuras transformações, que incentiva a apropriação por parte dos utilizadores e promove a ideia e importância do bom design para alcançar esses objetivos.