O Grande Júri independente do 16.º Ciclo de Prémios (2023-2025) selecionou sete vencedores depois de ter avaliado análises no local dos projetos pré-selecionados que foram anunciados em Junho. Os vencedores exploram a capacidade da arquitetura para servir como catalisador do pluralismo, da resiliência da comunidade, da transformação social, do diálogo cultural e da conceção sensível ao clima. Partilharão o prémio de 1 milhão de dólares, um dos maiores da arquitetura.
Os vencedores do Prémio Aga Khan para a Arquitetura 2025 são:
Bangladesh
Khudi Bari, em vários locais, por ateliê Marina Tabassum Arquitetos – uma solução replicável construída com bambu e aço para comunidades deslocadas afetadas por alterações climáticas e geográficas. O júri reconheceu o profundo enquadramento ecológico do projeto, contribuindo para o avanço global do bambu como material.
China
Centro Comunitário West Wusutu Village, em Hohhot, da autoria da Inner Mongolian Grand Architecture Design Co., Ltd – um centro construído a partir de tijolos recuperados que proporciona espaços sociais e culturais a residentes e artistas, ao mesmo tempo que responde às necessidades culturais da comunidade local multiétnica, incluindo os Muçulmanos Hui. O Júri observou que o projeto gera um valioso microcosmo comunitário partilhado e inclusivo dentro de um macrocosmo humano rural.
Egito
Requalificação da Esna Histórica por Takween Integrated Community Development – um projeto que aborda os desafios do turismo cultural através de intervenções físicas, iniciativas socioeconómicas e estratégias urbanas inovadoras, transformando um local negligenciado numa cidade histórica próspera. O Júri reconheceu a forma como o projeto está a estimular um metabolismo urbano histórico para fazer face ao desafio contemporâneo de melhorar as condições humanas.
Irão
Complexo Majara e Requalificação Comunitária, na Ilha de Ormuz, da autoria de ZAV Arquitetos – um complexo colorido cujas cúpulas refletem os solos ricos em ocre da ilha arco-íris, proporcionando alojamento sustentável aos turistas que visitam a paisagem única da Ilha de Ormuz. O Júri descreveu o projeto como um arquipélago vibrante de programas variados que servem para construir gradualmente uma economia turística alternativa.
Jahad Metro Plaza, em Teerão, pelo KA Ateliê de Arquitetura – uma estação outrora degradada transformada num nó urbano vibrante para os peões. O Júri destacou a utilização de tijolos artesanais locais como reforço da ligação com o rico património arquitetónico do Irão, enquanto a sua textura quente e subtil realça o estatuto da estação como um novo monumento urbano.
Paquistão
Vision Pakistan, em Islamabad, da DB Studios – um edifício de vários andares com fachadas alegres inspiradas no artesanato paquistanês e árabe, que alberga uma instituição de caridade que visa capacitar jovens desfavorecidos através da formação profissional. O Júri observou que o edifício não só contém um novo tipo de educação, como também é cheio de luz, espacialmente interessante e economicamente eficiente.
Palestina
Wonder Cabinet, em Belém, da autoria de AAU Anastas – um espaço de exposição e produção polivalente e sem fins lucrativos, construído com o contributo de artesãos e empreiteiros locais, para se tornar um centro essencial de artesanato, design, inovação e aprendizagem. O Júri considerou que o edifício constitui um modelo para uma arquitetura de ligação, enraizada em expressões contemporâneas de identidade nacional, e afirma a importância da produção cultural como meio de resistência.
A cerimónia de entrega do prémio deste 16.º ciclo terá lugar no edifício da Filarmónica Nacional do Quirguistão Toktogul Satylganov, em Bishkek, na República do Quirguistão, a 15 de Setembro. O Prémio não recompensará apenas os arquitetos, mas também os municípios, os construtores, os clientes, os mestres artesãos e os engenheiros que desempenharam um papel importante nos projetos.
O Prémio Aga Khan para a Arquitetura (AKAA)
“Inspirar as gerações mais jovens a construir com cuidado ambiental, conhecimento e empatia é um dos maiores objetivos deste Prémio. A arquitetura atual tem de se envolver na crise climática, melhorar a educação e alimentar a nossa humanidade partilhada. Através dela, plantamos sementes de otimismo – atos silenciosos de resiliência que se transformam em espaços de pertença, onde o futuro pode prosperar com dignidade e esperança.”
Sua Alteza o Príncipe Rahim Aga Khan V, Presidente do Comité Diretivo do AKAA
O Prémio Aga Khan para a Arquitetura foi criado em 1977 por Sua Alteza o Príncipe Karim Aga Khan IV, para identificar e incentivar conceitos de construção que respondam com êxito às necessidades e aspirações das comunidades em que os Muçulmanos têm uma presença significativa. O processo de seleção do Prémio dá ênfase a uma arquitetura que não só satisfaça as necessidades físicas, sociais e económicas das pessoas, mas que também estimule e responda às suas aspirações culturais. Nos últimos 16 ciclos trienais do Prémio, foram premiados 136 projetos e documentados quase 10 mil projetos de construção.
“A arquitetura pode – e deve – ser um catalisador de esperança, moldando não só os espaços que habitamos, mas também os futuros que imaginamos. Numa era definida pela crise climática, pela desigualdade de recursos e pela rápida urbanização, o Prémio Aga Khan para a Arquitetura celebra projetos que unem a sociedade, a sustentabilidade e o pluralismo para capacitar um mundo mais harmonioso e resiliente”, afirmou Farrokh Derakhshani, Diretor do Prémio Aga Khan para a Arquitetura.
“Optimism and Architecture”, editado por Lesley Lokko, será publicado pela ArchiTangle em Setembro de 2025. Apresenta os projetos premiados e pré-selecionados para o Prémio Aga Khan para a Arquitetura de 2025. Através de ensaios e conversas, este volume examina como a arquitetura pode revigorar a tradição através da inovação, ligar práticas locais a conversas globais e criar espaços inclusivos onde convergem diversas culturas e histórias. Ler mais.
NOTAS
O AKAA é um programa do Fundo Aga Khan para a Cultura, uma agência da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN). Fundada e dirigida por Sua Alteza o falecido Karim Aga Khan IV, a AKDN trabalha em 30 países para melhorar a qualidade de vida e criar oportunidades para pessoas de todas as crenças e origens. As suas agências operam mais de 1000 programas e instituições – algumas com mais de um século de existência. A abordagem da Rede ao desenvolvimento abrange uma série de esforços culturais, sociais, económicos e ambientais. Os mandatos das suas agências incluem a educação e a saúde, a agricultura e a segurança alimentar, as microfinanças, o habitat humano, a resposta a crises e a redução de catástrofes, a proteção do ambiente, a arte, a música, a arquitetura, o planeamento urbano e a conservação, bem como o património cultural e a preservação. A AKDN emprega cerca de 96 mil pessoas, a maioria das quais está sediada em países em desenvolvimento. As suas despesas anuais em atividades de desenvolvimento sem fins lucrativos são de aproximadamente mil milhões de dólares.